Conheça o projeto “You Go Girls” e a importância de valorizar mulheres gamers

O projeto incentiva mulheres a participarem ativamente dos jogos eletrônicos online, além de trazer as novidades voltadas às mulheres que são relacionadas a esta cultura

O universo dos games têm ganhado cada vez mais a presença das mulheres. De acordo com a pesquisa Game Brasil, 61,9% do público consumidor de jogos casuais é feminino e, em outro dado divulgado pela revista Metrópole, 52,6% dos jogadores brasileiros são mulheres. 

Entretanto, ser maioria numérica não significa ter mais espaço dentro deste meio e, por isso, o projeto You Go Girls incentiva mulheres a participarem ativamente dos jogos eletrônicos online, além de trazer as novidades voltadas às mulheres que são relacionadas a esta cultura.

A criadora do YGG, Nayara Dornelas, diz que o foco do projeto é ser uma plataforma para meninas que queiram estar ativamente nesta cultura. “A principal função hoje é dar oportunidade para as meninas que querem se inserir nesse cenário, principalmente em jornalismo e produção de conteúdo e dar visibilidade para o cenário em si”, explica.

A ideia do projeto nasceu dentro de um ônibus, em 2017, quando Nayara estava indo para a primeira edição do Geek & Game Rio Festival (GGRF), onde haveria um campeonato de CS:GO feminino (Counter-Strike: GO um popular jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa) quando ela percebeu que não havia notícias do evento. “Eu reparei que não tinha notícias, que quase ninguém sabia desse jogo, e fiquei me perguntando porque, sabe? Então no meio do evento que eu estava cobrindo para um blog de literatura, que eu mesmo insisti muito para inserir essa cultura pop e gamer nas pautas, tive a ideia de criar um site onde as pessoas poderiam achar essas informações sobre o cenário feminino”, relata Nayara.

O site então foi lançado em outubro de 2018 e mais meninas passaram a trabalhar no objetivo de construir um ambiente que promovesse o esporte eletrônico feminino. Thaís Abreu, redatora no YGG, diz que conheceu o projeto por uma amiga. “Entrei no projeto em setembro de 2019, pois tinha uma amiga que fazia streams pela “You Go Girls” e acabei indo mais a fundo para conhecê-las. Depois, entrei em contato com elas para saber se havia vaga para redatora e a Nayara me respondeu, fiz uma entrevista com ela e fui convidada a participar”, conta. 

Thaís diz que ter encontrado um espaço seguro para escrever sobre games, pois trazer representatividade às mulheres faz com que ela se sinta acolhida. “Foi muito importante, ainda mais no mundo gamer onde só agora as mulheres estão conseguindo um pouco mais de espaço! Me senti acolhida e protegida e pela primeira vez pude ser eu mesma na profissão que eu gosto”, confessa.

Um dos trabalhos realizados por Thaís no YGG

O sentimento de acolhimento é aparente nas meninas envolvidas no YGG. Gisele Oliveira, redatora e gerente de recursos humanos no projeto, diz que além de se sentir segura, participar é uma oportunidade de mostrar seu trabalho. “Foi extremamente importante ter um espaço onde eu sabia que era acolhedor, e ao mesmo tempo, me deu oportunidade de mostrar meu conteúdo diretamente ao público feminino, que também compartilhava as mesmas dores que as minhas”, afirma.

Recentemente, o “You Go Girls” recrutou meninas para vagas de redatora. “A seleção é bem tranquila, não escolhemos só pela experiência, mas pelo real interesse em participar e se dedicar ao projeto”, explica Gisele.

O projeto mantém um e-mail específico para que as gamers que desejam participar entrem em contato. Nayara diz que a caixa de entrada sempre é checada em busca de novas colaboradoras. “Estamos criando um banco de dados com meninas que queiram participar. Recentemente abrimos vagas, mas nem todas foram preenchidas”, revela.


Para conhecer mais sobre o projeto e até participar dele, você pode entrar em contato, pelo e-mail: rhyougogirls@gmail.com. Ali você deve contar seu interesse, se costuma acompanhar algum jogo específico e o que mais você achar necessário. 

Rentabilidade

Mesmo sendo importante, projetos como o de Nayara demoram para se tornar rentáveis. Ela diz que o YYG não dá nenhum retorno financeiro atualmente. “Toda mão de obra é voluntária e sou eu quem pago os gastos, como hospedagem do site e qualquer outra coisa que precisar. Mas já estamos trabalhando em formas de monetizar, porque é um plano nosso”, conta.

O projeto já tentou algumas parcerias para conseguir mais visibilidade e ajudar na promoção da plataforma. Porém, segundo Nayara, o interesse de terceiros muitas vezes surge apenas pela alta do discurso feminista. “É complicado fazer parceria, porque muitas vezes as pessoas acham que, porque somos um projeto pequeno, vamos aceitar fazer as coisas de graça”, relata.

O YGG conta atualmente com dois parceiros: o Rexpeita Elas, que tem a finalidade de aproximar mulheres dentro de League of Legends (LoL), um jogo eletrônico do gênero batalha multijogador, e o Girls Arena, um projeto que visa incluir e ajudar as mulheres que querem melhorar sua jogabilidade e almejam entrar no cenário competitivo, seja qual for sua área de escolha. Estas duas parcerias são apenas para expandir o alcance das plataformas, nenhuma oferece algum tipo de retorno financeiro.

Redes sociais, lives e novos projetos

A primeira aparição do You Go Girls foi nas redes sociais em 2018, quando Nayara cobria os campeonatos de CS (Counter-Strike). “Como de início não tinha dinheiro, a primeira ‘aparição’ do YGG foi só nas redes sociais, onde cobria os campeonatos femininos de CS e dava resultados dos placares, campeões e afins”, conta.

A ideia inicial era um site apenas para falar de CS, mas um retweet mudou tudo. “Respondi um tweet da Riuuyka (gamer) sobre o meu projeto, conheci a Gisele que queria escrever sobre League of Legends (LoL) e, de repente, muitas pessoas começaram a seguir porque a Riuuyka tinha nos dado retweet. Quando algumas pessoas viram o que a gente estava fazendo, foram dando mais retweet a gente deu uma ‘bombada’ quase imediata”, esclarece.

Mensagem enviada para a gamer Riuuyka.

A recepção do projeto na internet foi boa e as meninas tiveram menos problemas com hate do que estavam esperando, já que a comunidade gamer é machista com mulheres. Em seguida, com o crescimento das lives de games pela Twitch, a principal plataforma de stream de jogos eletrônicos no mundo, o You Go Girls também se inseriu também nesse canal, e realiza várias transmissões na plataforma. O canal das meninas gamers conta com quase mil inscritos e pode ser acessado pelo endereço: twitch.tv/yougogirls.

O Twitch é o espaço que as meninas usam para fazer as transmissões dos jogos ao vivo

Visando aumentar ainda mais a representatividade feminina, o YGG se engajou em um novo projeto, o Her Voice Gaming, que foi criado em parceria com a Furnace Esports, Dynasty Girls e Kaori Esports. A ideia é ajudar as mulheres que querem ingressar no mundo de casting, dando visibilidade a elas em campeonatos de LoL, cs:go, entre outros.

Thais diz que a equipe já tem um banco de dados de meninas que querem narrar jogos eletrônicos. “Cada menina tem a sua preferência por jogos e muitas também vem treinando até dois tipos de game. Temos um grupo no WhatsApp onde vamos acionando e perguntando se alguém tem disponibilidade e também se quer participar. Assim que elas respondem acertamos dias e horários que podem”, comenta.

A intenção do projeto é de expansão para a cultura pop, sobre séries, filmes, etc. Contudo, isso depende do interesse, e procura, de meninas e mulheres para produzir esse conteúdo. Mas o foco, no momento, é que o YGG se torne referência no cenário feminino de Esports.

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